Quando embarcou sozinha para North Vancouver, no Canadá, aos 15 anos, Laine Eugênio viveu uma experiência que mudaria sua relação com o mundo. Cinco anos depois, aos 20, atravessou novas fronteiras para estudar mandarim em Xangai, na China, em um período em que o país ainda era um destino menos comum entre brasileiros.
As experiências deram à relações públicas e diretora de marketing do grupo 180 Graus algo que ela considera mais importante do que simplesmente aumentar a lista de países conhecidos: independência, capacidade de adaptação e uma visão menos receosa diante do desconhecido.
Em entrevista publicada pelo Boletim Brio, Laine falou sobre a influência das viagens em sua personalidade, revelou sua paixão pela Ásia, contou por que gosta tanto de organizar roteiros e compartilhou dicas para quem pretende conhecer novos destinos.
Ela também comentou como sua própria maneira de viajar mudou ao longo dos anos, especialmente em relação ao turismo envolvendo animais, e explicou por que prefere conhecer novas versões de cidades que já visitou em vez de repetir os mesmos pontos turísticos.
Veja a entrevista:
Boletim Brio: Quem é Laine Eugênio por Laine Eugênio?
Laine Eugênio: É difícil responder [risos].
Acho que o que mais me define são algumas dualidades.
Sou uma pessoa inquieta, mas extremamente planejadora. Gosto de organização, mas não gosto de viver na monotonia.
Faço planos, crio roteiros, penso nos detalhes e gosto de ter as coisas estruturadas. Ao mesmo tempo, se aparece uma ideia melhor, não tenho problema nenhum em mudar tudo.

Também gosto de conforto, mas preciso constantemente de novidade.
Sou muito dedicada ao meu trabalho, mas faço questão de viver e aproveitar tudo o que existe além dele.
Acho que sou uma mistura de controle e espontaneidade, de intensidade e leveza.
Gosto de saber para onde estou indo, mas isso não significa que eu precise seguir sempre o mesmo caminho.
No fim, acredito muito que a vida fica mais interessante quando a gente coleciona histórias, e não somente destinos.
Boletim Brio: Qual destino mais transformou sua maneira de enxergar o mundo?
Laine Eugênio: Foram dois momentos muito importantes.
O primeiro aconteceu quando eu tinha 15 anos.
Fiz meu primeiro intercâmbio em North Vancouver, no Canadá, para cursar parte do High School.

Também foi minha primeira viagem sozinha.
Naquela idade, a experiência abriu um universo de possibilidades para mim.
Foi meu primeiro contato com a ideia de morar fora, conviver de verdade com outra cultura e conhecer pessoas de diferentes partes do mundo.
Também foi quando comecei a desenvolver uma independência que eu ainda não conhecia.
Foi uma experiência tão especial que algumas amizades que fiz naquela época permanecem até hoje.
O segundo momento veio aos 20 anos.
Fui para Xangai para estudar mandarim.
Essa, provavelmente, foi a experiência que mais me desafiou.
Às vezes, penso até hoje de onde tirei coragem para embarcar naquela viagem [risos].
A barreira do idioma era enorme.
Além disso, havia diferenças na comida, no fuso horário e nos costumes.
Praticamente tudo exigia algum grau de adaptação.
E era uma China bastante diferente daquela que vemos hoje.
Depois, tive a oportunidade de voltar ao país cerca de dez anos mais tarde e perceber o tamanho da transformação.
Foi quase como conhecer dois momentos distintos do mesmo lugar.
Essa evolução me impressionou muito.
No fim, tanto o Canadá quanto a China contribuíram para que eu aprendesse a não ter medo do desconhecido.
Essas viagens aumentaram minha independência, ampliaram minha visão de mundo e mostraram que consigo me adaptar a lugares muito diferentes daquilo que faz parte da minha rotina.
Boletim Brio: Quais destinos mais surpreenderam você em cultura, gastronomia e hospitalidade?
Laine Eugênio: A Ásia, sem dúvida.
Foi a região que mais me surpreendeu positivamente.
Hoje posso dizer que estou apaixonada pela Ásia. Inclusive, minha próxima viagem internacional será ao Japão.

Na primeira vez que fui à China, há cerca de dez anos, eu estava bastante receosa porque era uma experiência muito fora do que eu conhecia.
Hoje é muito mais comum ver pessoas brasileiras viajando para a China e para outros destinos asiáticos.
Naquela época, isso ainda não era tão frequente.
Por isso também o impacto foi muito grande.
Morei em Xangai e me encantei pela cidade.
É uma metrópole extremamente cosmopolita, quase uma espécie de Nova York da China.
Como eu amo Nova York, acabei me identificando muito com essa energia.
Também enfrentei dificuldades.
A alimentação, principalmente, foi uma das maiores.
Mas, ao mesmo tempo, descobri ótimos restaurantes e uma riqueza cultural enorme.
É um destino em que você realmente sente que está mergulhado em uma realidade diferente.
Outro destino que destacaria é a Tailândia.
Amei porque o país reúne praticamente todos os elementos que valorizo em uma viagem.
Há hotéis incríveis, restaurantes muito bons, compras, vida noturna, natureza e também lugares em que você pode simplesmente relaxar.
É um destino muito versátil.
Dependendo do perfil do viajante, dá para fazer uma viagem completamente diferente dentro do mesmo país.
Boletim Brio: O que mais faz diferença no planejamento de uma viagem?
Laine Eugênio: Para mim, pesquisar o destino antes de viajar é fundamental.
Gosto de buscar referências e conversar com pessoas que já estiveram no local.
Eu realmente amo planejar viagens.

Sempre digo que a viagem começa antes de você entrar no avião.
Ela começa praticamente no momento em que você compra a passagem [risos].
A partir daí, vem a escolha do hotel, a pesquisa sobre o destino, a definição da melhor época, a montagem do roteiro e a seleção dos restaurantes.
Tudo isso já faz parte da experiência.
Você começa a viver aquela expectativa antes mesmo de sair de casa.
Na parte de organização, uso bastante o Wanderlog.
Uso em praticamente todas as minhas viagens.
É um aplicativo que permite concentrar todas as informações em um só lugar.
Coloco vouchers, hotéis, reservas de restaurantes, passeios, deslocamentos, horários e outros detalhes.
Para mim é muito prático porque consigo acompanhar todo o planejamento em um único ambiente.
Mas, se eu tivesse que escolher a dica mais importante, diria para escolher muito bem a companhia da viagem.
Em viagens mais longas isso faz ainda mais diferença.
É importante viajar com alguém que tenha uma vibe parecida, interesses semelhantes e um ritmo compatível.
Isso pode mudar completamente a experiência.
Boletim Brio: Existe algum destino ideal para quem quer viajar sozinho?
Laine Eugênio: Eu não sou exatamente uma pessoa que costuma viajar sozinha.
As experiências que tive sozinha foram durante intercâmbios, em viagens ligadas aos estudos.
Nunca fiz uma viagem inteira apenas para turismo completamente sozinha.
Mas recomendaria a Europa.

A principal razão é a facilidade de deslocamento.
Com os trens, você consegue passar por várias cidades e conhecer culturas muito diferentes em poucos dias.
Também tem bastante liberdade para modificar o itinerário.
Você pode decidir ficar mais tempo em uma cidade, mudar o próximo destino ou alterar o roteiro sem precisar conciliar essas escolhas com outra pessoa.
Acho que essa autonomia combina muito com a experiência de viajar sozinho.
Boletim Brio: Existe algum destino superestimado ou alguma experiência que você deixou de valorizar?
Laine Eugênio: Não gosto muito de classificar um lugar como superestimado.
Cada pessoa pode ter uma experiência completamente diferente no mesmo destino.
Mas existem experiências que já fiz e que hoje não faria novamente.
O principal exemplo é o turismo com animais.
Já nadei com golfinhos, andei de camelo, interagi com elefantes, cobras e felinos e também assisti a shows com baleias.
Com o tempo, comecei a enxergar esse tipo de atividade de outra forma.
Hoje não faria mais.
Quando você está viajando, principalmente em um lugar com uma cultura muito distante da sua, às vezes entra na experiência sem pensar tanto sobre o contexto e sobre aquilo que existe por trás daquela atração.
Hoje minha preferência é por experiências que me aproximem mais da cultura real do destino.
Quero conhecer a gastronomia, as pessoas, o cotidiano e o modo de viver de cada lugar.
Essas experiências mais autênticas são as que mais ficam na memória.
Boletim Brio: Existe algum lugar para onde você não voltaria?
Laine Eugênio: Não.
Para ser sincera, todos os lugares que já conheci têm algo que me faria voltar.
Só não gostaria de voltar para fazer exatamente a mesma viagem.
Não tenho interesse em repetir os mesmos pontos turísticos ou seguir novamente os roteiros mais óbvios.
Se volto a uma cidade, quero descobrir outro lado dela.

Prefiro conhecer bairros diferentes, pequenas cidades próximas, novos restaurantes e lugares que não consegui incluir na primeira viagem.
Agora, existem lugares que não estão na minha lista de prioridades.
Não tenho muito interesse nesse turismo de escolher um destino pouco convencional apenas pelo desafio de dizer que fui.
Afeganistão e Coreia do Norte, por exemplo, não despertam meu interesse.
Já Egito e Índia são países que acho culturalmente muito interessantes.
Mas já ouvi vários relatos, principalmente de mulheres, sobre a necessidade de redobrar o planejamento e os cuidados com segurança.
Por isso, se um dia fizesse essas viagens, seria com bastante preparação.
Hoje, no entanto, existem muitos outros lugares que quero conhecer primeiro.
Boletim Brio: Quais são seus três destinos favoritos?
Laine Eugênio: Em primeiro lugar, Nova York. Depois, Florença. E, em terceiro, Xangai.
Fonte: Boletim Brio.